As noites passam devagar quando não ha ninguém aqui. Não há distração
então sou obrigada a lidar com o que está dentro de mim.
A cada nova companhia noturna que me aparece, uma pequena destruição
ocorre dentro de mim. De pequenas em pequenas destruições se instalou o caos.
A contradição é que eu nunca me senti tão confortável e livre como sinto
agora. A caos se tornou algo que eu aprendi a apreciar.
Não é fácil deixar meus pequenos destruidores irem embora. Eu sempre
quero um pouco mais, um dia a mais, uma hora a mais, um minuto a mais. E aí
cada segundo vai me corroendo por que é um segundo a menos na companhia
dele.
Ninguém parece querer ficar. Nem eu sei se quero ficar. Como posso
exigir que alguém fique se até eu quero fugir de mim?
